A concorrência se mexeu e eles perderam a liderança de seus segmentos, apesar de ainda estarem no mercado. Veja se conseguem superar o peso da idade

Eles já foram os mais desejados, líderes de venda e eram objeto de desejo e prestígio. Mas a concorrência é feroz e não perdoa. Veja a seguir oito carros que já tiveram seus dias de glória, mas ainda estão no mercado:

Volkswagen Golf

Presente no Brasil desde 1995, o Golf é o maior sucesso de vendas da Volkswagen no mundo até hoje, superando até o Fusca. Já foi um queridinho dos brasileiros, mas está chegando à sua oitava geração abalado.

Por aqui, estreou na terceira geração, ainda importado da Alemanha e, posteriormente, do México. Hoje é praticamente um esquecido dos fãs. Não por menos, a montadora tirou de linha praticamente todas as suas versões.

Outro porém: o segmento dos hatches médios está em decadência. Seu rival, o Focus, sofreu do mesmo mal e foi descontinuado pela Ford. Nem sempre foi assim. Para ter uma ideia, em 2009, foram vendidas 1.536 unidades do Golf somente em maio. Nos cinco primeiros meses daquele ano, 7.606.

Essa realidade é bem diferente de maio de 2019, em que apenas 98 unidades foram emplacadas. No acumulado do ano, foram apenas 924 carros.

Citröen C3

O primeiro compacto montadora francesa chegou no Brasil em 2003 com motor 1.6 de 110 cv e ganhou o status de “hatch compacto premium”. Desde então começou a ser produzido no Brasil, recebeu configuração com motor 1.4 e teve até versão aventureira.

O carro-chefe da Citroën emplacou quase 40 mil unidades em 2010 e era o quinto hatch compacto mais vendido. Mesmo mais caro que rivais como VW Polo e Peugeot 206, o modelo era queridinho dos consumidores graças aos modernos (para a época) equipamentos de série.

Depois de duas gerações brasileiras, o C3 vendeu 6.300 unidades no ano de 2018. Os fortes concorrentes, como Chevrolet Onix e Fiat Argo, somados à defasagem no design e a reclamações sobre a massiva desvalorização e problemas na suspensão afetaram intensamente as vendas da Citröen. A francesa foi ultrapassada pela "irmã" Peugeot e não conseguiu mais seu posto de volta.

O futuro não é muito animador para o modelo. Depois que a terceira geração, apresentada em 2016, não veio para o Brasil, a Citroën anunciou o lançamento de um novo SUV compacto, fabricado em uma nova plataforma e destinado aos mercados emergentes.

Fiat Uno

Velho de guerra, o Uno foi desenhado e lançado nos anos 1980 na Europa e logo chegou ao Brasil, mas só foi aclamado como carro popular (e o pioneiro na área) nos anos 1990, com o surgimento do Uno Mille graças à alíquota do IPI reduzida. Muito compacto e econômico, o carro foi o primeiro equipado com motor 1.0 e o precursor dos populares a oferecer ar-condicionado e quatro portas.

A primeira grande reestilização ocorreu somente em 2004, quando o visual externo foi alterado e a “botinha ortopédica” ganhou novos para-choques, faróis de superfície complexa, lanternas redesenhadas e grade dianteira que parecia dividir o capô em três partes. Em 2005, as unidades vendidas quase bateram 120 mil.

A troca de carroceria ocorreu em 2010, com a tardia chegada da 2ª geração. Esta, por sua vez, procurava ser atraente para o público jovem. O Novo Uno chegava ao mercado para brigar com o Kia Soul. Desta vez equipado com os motores Fire Evo 1.0 e o Fire Evo 1.4.

As duas versões impulsionaram fortemente as vendas que, no acumulado de 2010, alcançaram a marca de 229 mil unidades vendidas. Entretanto, o Uno Mille precisou se aposentar em 2014, após a obrigatoriedade dos airbags duplos e freios ABS.

Mas o mercado de hatches de entrada está se renovando rapidamente: tecnologia, motor e design do Uno ficaram para trás. Por isso, o cenário para o modelo virou de ponta-cabeça: 15 mil carros emplacados em 2018 e no ranking geral dos mais vendidos, somente a 39ª posição.

Hoje o modelo contempla as versões Attractive, Drive e Way. De acordo com a Fiat, a terceira geração do Uno chegará em 2020.

Volkswagen Gol

São 39 anos, milhões de unidades produzidas no país, três gerações e diversas reestilizações. Pode não estar em seus melhores momentos, mas o Gol já vendeu bem mais que o invicto Chevrolet Onix. Aliás, foi líder de vendas por 27 anos consecutivos.

Idealizado para ser o sucessor do Fusca, o carro estreou com o motor 1.3 refrigerado a ar e 42 cv para concorrer com o Fiat 147 e o Chevrolet Chevette. Recebeu versões esportivas como o GT, com motor 1.8, passando pelo GTI 2.0, o primeiro carro a usar injeção eletrônica no Brasil.

Já adotou designs totalmente diferentes e carrocerias modernas que condiziam com a época. Entretanto, o câmbio automático só chegou em sua linha no ano passado.

Mas a concorrência ganhou força e a tecnologia começou a vender mais que a tradição. Onix, Hyundai HB20 e a nova geração do Ford Ka entraram no jogo e, aos poucos, o modelo começou a perder mercado. Em 2010, quando o Gol era líder de vendas, somava 109.621 emplacamentosn até maio.

Nove anos depois, o número é bem menor: 31.647. Ainda assim, é o 6º carro mais vendido do Brasil e só fica atrás do Kwid entre os hatches de entrada. É um clássico e carro-chefe da montadora alemã.

Mas vale ressaltar que as vendas diretas ainda sustentam a boa colocação, diferentemente da situação de 2010. Elas representam dois terços de todas as unidades vendidas em 2019.

Fiat Weekend

Apesar de fazer parte de um segmento abandonado, o Fiat Weekend ainda vive e lidera, depois da extinção do Spacefox. Óbvio que é líder: é o único sobrevivente de seu segmento…

Ainda na primeira geração desde 1997, o carro só agora ganhou ar-condicionado de série, mas faz sucesso entre os frotistas e vai bem nas vendas diretas. O Weekend entra na série porque já foi bem melhor que hoje nas vendas de varejo.

Quando falamos de bem melhor é porque exatamente 10 anos atrás, o acumulado dos cinco primeiros meses encostava em 18 mil unidades vendidas, ante as 1.613 de hoje (das quais 1.587 são destinadas à vendas diretas).

Vale ressaltar que a Fiat irá mudar sua linha de automóveis nos próximos anos, investindo em SUVs e adotando os motores 1.0 e 1.3 turbo. A renovação da linha será o fim de vida da Weekend, encerrando uma história de 20 anos - e extinguindo de vez o segmento das peruas compactas.

Chevrolet Cobalt

Ele entrou no mercado brasileiro para substituir o Chevrolet Corsa Sedan em 2011, equipado com o motor 1.4 EconoFlex. No ano seguinte, recebeu a versão com motor 1.8 e transmissão automática. Nessa época de ouro, conseguiu vender mais de 66 mil unidades e se tornar líder do segmento dos sedans compactos, conquistando a 11ª posição no ranking geral.

Hoje o modelo é vendido majoritariamente para frotistas e ainda alcança uma boa posição nas vendas diretas. Neste tipo de venda, foram emplacadas mais de 15 mil unidades no acumulado ano passado, ante as 5.857 unidades no varejo.

Sem mudanças na linha 2020, o Cobalt ainda viverá. Porém, ficará meio de escanteio, já que as atenções da montadora estarão voltadas para a chegada do novo Chevrolet Onix Sedan.

Com preços a partir de R$ 68.490, sedã fica posicionado entre os modelos Prisma e Cruze.

Hyundai ix35

Também conhecido em outros países como New Tucson, o ix35 desembarcou no país em 2013 com motor Nu 2.0. O modelo fez bastante sucesso desde o lançamento graças ao design moderno, espaço generoso e uma alternativa mais barata em relação ao antigo Tucson brasileiro.

Em 2014, o utilitário médio vendeu mais de 15 mil unidades e só ficou atrás de Ford Ecosport, Renault Duster e Hyundai Tucson.

Com a chegada do New Tucson, gêmeo do ix35, e com a introdução de novos modelos mais modernos e tecnológicos no segmento, como Jeep Compass, o utilitário médio perdeu fôlego diante da concorrência. O total de emplacamentos em 2018 ficou em apenas 8.525 unidades.

Ford EcoSport

Quando foi lançado, lá em 2003, com uma pegada aventureira, a febre dos SUVs ainda estava longe de começar. Desde então o modelo passou por diversas reestilizações e muitas opções chegaram para disputar a liderança da categoria.

Apesar de a queda nas vendas não ter sido tão expressiva quanto a de outros carros desta lista, o declínio do EcoSport na participação do mercado de SUVs é clara.

Há exatos 10 anos, o Ecosport vendeu 18.442 unidades até maio de 2009. Isso representou um total de 20% das vendas de SUVs, já que os únicos concorrentes eram os antigos Hyundai Tucson e Honda CR-V.

Hoje, com a tendência dos utilitários, a parcela baixou para meros 5% graças à defasagem do modelo em relação aos rivais e problemas com a adoção (e depois exclusão) da transmissão Powershift na linha.

Atrás dos SUVs compactos Hyundai Creta, Nissan Kicks e Jeep Renegade, a Ford já anunciou que planeja substituir o EcoSport por outro modelo no mesmo segmento.

Fonte: Revista Auto Esporte